Padre Vieira

Mais de 400 anos passaram da morte, daquele que é considerado um dos epítomes da Cultura Portuguesa e Brasileira – Padre António Vieira. Nascido em Lisboa, Portugal, no início do século XVII e mais concretamente em 1608, viria a falecer em 1697 na Baía, Brasil. Este homem singular que se destacou acima das hordas, deixava para trás uma vida repleta de decisivas viagens entre um país e o outro, e fortes ramificações nos mais diversos aspectos da sociedade civil, económica, religiosa, política e cultural da época.

Padre António Vieira, conhecido como o grande escritor Jesuíta Português, era um homem oriundo de uma família de fidalgos. O seu pai, pensa-se que para ocupar o cargo de secretário do governo da Baía, terá levado consigo para o Brasil, a sua esposa e António Vieira, então com 7 anos de idade. É no colégio da Companhia de Jesus que ingressa para estudar, e apesar de revelar dificuldades de aprendizagem iniciais, a sua inteligência e espírito rapidaram chamou rapidamente a atenção.

Em 1623, na sequência de uma pregação do Padre Manuel do Carmo que descrevia o inferno, António Vieira sente um chamamento religioso inequívoco e uma paixão exacerbada pela oratória e pela arte da retórica. A decisão para fazer os votos foi sempre contrariada pelos seus pais, mas em 1623, com 15 anos de idade, António Vieira decide abandonar o seu lar e a sua família para perseguir as suas ambições no colégio dos Jesuítas. No ano de 1625, torna-se escolar e passa a poder professorar. Aos 17 anos redige, em Latim, as anuas a enviar para Roma, aos 18 é professor de dialética, teólogo aos 20 e dez anos depois mestre em teologia. assim era o brilhante jovem António Vieira.

Como pregador, é preciso destacar o seu primeiro grande sermão em 1610 na cidade da Baía, contra os ataques dos Holandeses e que injetou um tremendo patriotismo nas debilitadas armas portuguesas. O seu primeiro sermão em terras Lusitanas, teve lugar no primeiro dia do ano de 1642. Um ano antes, António Vieira chegava a Portugal pela primeira vez desde que saíra com sete anos de idade. Acompanhado pelo Padre Simão de Vasconcelos e pelo filho do Marquês de Montalvão, a sua missão consistia em saludar e aclamar o novo rei D. João IV. Este, viria a mostrar desde cedo, um enorme favoritismo por António Vieira que rapidamente pode exibir os seus dotes em tarefas como convencer todos os súbditos do rei a contribuírem com o pagamento de impostos. Clero, nobres e povo, todos se rendiam a este mestre da palavra que passara a aconselhar tribunais, juntas e que atendia às reuniões do próprio rei com os seus ministros. Em 1653, a Companhia de Jesus duvidando da sua dedicação religiosa pede para que ele volte ao Brasil, atribuindo-lhe a responsabilidade de gerir os conflitos com os indígenas locais. António Vieira assim o fez, defendendo os mesmos indígenas de forma aguerrida e eloquente e emotiva que tanto o caracterizavam. Em 1961 os colonos expulsam-no e ele volta a Portugal. Por um lado, a sua popularidade conquistou a Corte e o povo Português, por outro lado crescia o desagrado da Inquisição pelo facto de António Vieira ser simpatizante e defensor da liberdade e dos direitos humanos. Em 1642, Padre António Vieira redige o Sermão dos Bons Anos e com a morte do seu protector real é preso pela Inquisição por defender os judeus e por ataque à nação. Foi proibido de ensinar e pregar. A destituição de D.Afonso VI conduz à sua amnistia e em 1669 volta a desempenhar funções diplomáticas, sendo enviado para Roma onde conquistará o Papa Clemente e outros monarcas Europeus. António Vieira retorna ao Brasil em 1981, para passar os últimos dias da sua vida compondo e editando uma das mais valiosas e maravilhosas obras artísticas e históricas.

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